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           Jogos infinitos: conceito destaca o papel dos stakeholders em um negócio

Data: 02 dezembro 2021 | Categoria: Estratégia
Foto do brainer Bruno Galucci, que escreveu sobre jogos infinitos no mundo dos negócios.
           

O conceito de jogos infinitos foi apresentado pelo escritor Simon Sinek em seu mais recente livro, O Jogo Infinito. A ideia é baseada na teoria do professor James P. Carse, de 1986, que diz que existem dois tipos de jogos: os finitos e os infinitos.

Abaixo, trazemos o conceito de jogos infinitos e como ele destaca o papel dos stakeholders e suas jornadas.

Entenda o conceito de jogos infinitos

Os jogos finitos, como o próprio nome já diz, têm um fim e possuem jogadores conhecidos, um objetivo comum, de acordo com regras fixas e conhecidas. Os esportes como futebol e basquete são exemplos deste tipo de jogo.

Já nos jogos infinito existem jogadores conhecidos e desconhecidos, eles podem entrar e sair do jogo sem aviso prévio ou mesmo conhecimento dos outros participantes. Assim, não existem regras precisas ou acordadas, elas podem mudar também sem prévio aviso, ou mesmo sobre protestos dos jogadores. Ainda, não há um objetivo final ou linha de chegada, sendo assim, não pode existir um vencedor ou mesmo um fim.

Portanto, o objetivo é se manter no jogo, fazer com que ele dure o máximo possível, inclusive auxiliando outros jogadores a permanecerem no jogo. Isto, com o intuito de que todos se desenvolvam, se fortaleçam e ajudem o jogo a continuar, criando e perpetuando uma relação de ganha-ganha. Exemplos de jogos infinitos que todos nós jogamos todos os dias são o casamento, as amizades, enfim, a vida.

Seguindo estes conceitos, os negócios também entram na classificação de jogos infinitos. Dessa forma, Simon cita que as empresas precisam deixar em segundo plano o lucro e os planos de crescimento para serem bem sucedidas e perenes. Isto, para focar, em primeiro lugar, no valor que entrega para as pessoas.

Ainda, o autor menciona que empresas que nascem com o foco claro no valor que entregam em benefício das pessoas, sejam clientes ou funcionários, alcançam os tão sonhados lucros e sucesso. Entretanto, se em algum momento do caminho se deslumbram e esquecem sua origem e razão de existir, acabam sofrendo as consequências. Assim, perdem valor tangível e intangível, arranhando a imagem que construíram.

Conheça o exemplo do Walmart

Em determinado ponto do livro, Simon Sinek ilustra este ensinamento com o caso do Walmart. Originalmente, a rede foi criada por Sam Walton, com foco em levar mercadorias com os mais baixos preços a todos os trabalhadores, em qualquer momento e qualquer lugar dos Estados Unidos. Baseando todas suas decisões nesta premissa, logo o Walmart era amado pelas pessoas e desejado pelas comunidades.

Porém, quando Mike Duke assume o cargo de CEO, em 2009, a empresa passa a ter apenas a visão focada em crescimento. Isso fez com que a rede, entre outras coisas, priorizasse lucros e não pessoas, fazendo com que a marca, antes amada, passasse a sofrer com escândalos sobre a maneira que tratava os funcionários e os clientes. Isto levou até mesmo as comunidades que a desejavam a se mobilizarem para mantê-la longe de suas cidades, gerando prejuízos financeiros e de imagem.

A frase a seguir, atribuída na internet a Simon Sinek, ilustra bem essa relação de importância entre empresas e pessoas: “100% dos clientes são pessoas. 100% dos funcionários são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios”.

O papel dos stakeholders nos jogos infinitos

Todas essas pessoas ou organizações de pessoas, que estão envolvidas em um processo, que pode ser um projeto com prazo determinado ou o negócio de uma empresa, participando ativamente ou sofrendo influência deste, atualmente são chamadas de Stakeholders.

O termo stakeholder foi difundido pelo filósofo norte-americano Robert Edward Freeman, na década de 1980. Tem se tornado cada vez mais comum em diversas áreas, com o intuito de ressaltar e valorizar a importância dessas pessoas nos processos que estão envolvidas.

Assim, tente imaginar como a sua empresa vai ter sucesso se, por exemplo, os clientes, que são seus stakeholders, não quiserem mais comprar o seu produto ou serviço? Ou então, se os funcionários da sua empresa, que também são stakeholders, não estão motivados e não conseguem atingir determinada produtividade?

Os Stakeholders são classificados de diversas formas, sofrendo variações de acordo com as características de cada projeto ou negócio, sua influência ou poder de decisão, entre outras formas de classificação. Por exemplo, clientes, investidores, funcionários, fornecedores, concorrentes e proprietários podem interferir diretamente dentro das operações de uma empresa. Sendo assim, geralmente são classificados como parte dos stakeholders primários.

Já a imprensa, comunidade, analistas financeiros, governo, ONGs e outras instituições são impactados, influenciam e têm uma relação com a sua empresa. Porém, não são diretamente responsáveis pelo alcance ou não de metas e objetivos traçados, por isso são tratados como secundários.

Entenda o papel do PO nesse processo

Quando estamos inovando e criando um novo negócio ou produto temos que ter em mente os conceitos de perenidade e de foco nos stakeholders. Afinal, inovação que não vende não entrega valor para nenhum stakeholder e por isso é tempo e esforço jogados fora.

Este é o papel do PO, que deve conhecer muito bem o projeto, seus objetivos, buscar manter o equilíbrio entre a entrega de valor para o usuário e as metas de negócio. O PO é o representante dos stakeholders durante o processo de desenvolvimento e por isso deve sempre estar em contato com eles coletando feedbacks. 

Junto com o auxílio do UX Designer, o PO deve incluir nos seus projetos as seguintes etapas:

  • Mapear stakeholders do projeto;
  • Classificá-los para entender sua importância no processo;
  • Analisar sua experiência, interesses e expectativas.

Para ajudar a cumprir estas tarefas, existem muitas ferramentas, mas trago duas delas que se complementam e criam um verdadeiro guia de serviço. Elas podem ser utilizadas para criar a experiência ideal ou para identificar falhas e melhorias em serviços já existentes. São elas:

Jornadas de usuários e Blueprint de Serviço

Começamos pelas jornadas, que, basicamente, é descrever ou imaginar como uma pessoa interage com seu produto ou serviço. Isto, colocando o maior número de detalhes possível, até mesmo as emoções que ela está sentindo naquele momento, que podem influenciar seu comportamento.

Feito isso para os principais stakeholders, colocamos tudo em um Blue Print, que, de forma macro, é a consolidação das várias jornadas de stakeholders de um negócio. Porém, agregamos detalhes e informações a cada momento em que essas jornadas se cruzam ao longo do processo.

Seus intuitos são captar, ilustrar e ajudar a criar/ajustar o processo do produto ou serviço, para que seja prazeroso para todos. Funcionários motivados, com objetivos e atividades claras, encantam os clientes. Clientes encantados e satisfeitos consomem mais e divulgam mais o negócio. Sendo assim, está pavimentada a estrada para o sucesso, lucros e perenidade dos seus projetos.

Consegue enxergar o impacto cíclico gerado pela relação e experiência dos stakeholders e o que isso traz para seu negócio? O foco nas pessoas, o uso de ferramentas como o as jornadas e o blue print, que nos trazem a visão do processos e nos dão condição de melhorar sempre as experiências das pessoas dentro do nosso negócios, são a chave para uma empresa se manter sempre relevante, desejada e bem sucedida no jogo infinito dos negócios.

Agora que você sabe mais sobre o assunto, entenda o papel do treinamento do atendimento na jornada do cliente!

Artigo escrito pelo brainer Bruno Galucci, Product Owner no Brain.

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REDAÇÃO BRAIN

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antonio

Para começar, o que você faz depois de vencer um jogo finito?

Jogadores infinitos, em contraste, olham para o futuro. 
Como seu objetivo é manter o jogo em andamento, eles se concentram menos no que aconteceu e se esforçam mais para descobrir o que é possível. 
Ao jogar um jogo único e não repetível, eles não se preocupam com a manutenção e exibição do status anterior. Eles estão mais preocupados em se posicionar para lidar efetivamente com quaisquer desafios que surjam.
Se você joga a vida como um jogo finito, você treina para as regras. Se a vida é um jogo infinito, você se concentra em ser educado para se adaptar ao desconhecido.


antonio

“O que desfará qualquer fronteira é a consciência de que é a nossa visão, e não o que estamos vendo, que é limitada.”

Last edited 8 meses atrás by antonio
antonio

E indo um pouco mas fundo, é justamente esta visão, limitada de uma grande parte das empresas, que eu, você, temos que conhecer para se mantermos nos ombros delas, e assim ver muito mas longe. isto é maravilhoso e, tornar o jogo infinito de vida alegre.

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