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Data: 28 setembro 2026 | Categoria: Inovação

Por Renata Caetano, gerente de Sustentação e Estratégia Corporativa no Brain 

A ideia de que empresas falham em inovar por falta de criatividade, de “grandes mentes” ou de investimentos significativos é, no mínimo, incompleta. Existe um mito corporativo de que o mercado precisa de novos “momentos Eureka”. A realidade dos negócios aponta para outro cenário: um dos maiores obstáculos à inovação está na gestão. 

Ao olhar para dentro das organizações, encontramos pipelines e roadmaps cheios de oportunidades. Muitas empresas já possuem mais ideias do que conseguem executar. O desafio está nos processos de decisão, na priorização e na esteira de execução. É na passagem entre o post-it na parede e a entrega de valor ao mercado que muitas iniciativas perdem força. 

A inovação também encontra barreiras na burocracia, na falta de alinhamento estratégico e no receio de errar. As estruturas corporativas foram construídas, por muito tempo, para garantir previsibilidade, eficiência e controle. Esses elementos são importantes para o funcionamento do negócio, mas podem dificultar iniciativas que fogem do modelo conhecido. 

Quando o erro deixa de ser entendido como parte do aprendizado, a organização reduz sua capacidade de experimentar, aprender e inovar. 

Gestão de recursos também precisa acompanhar a inovação 

O modelo tradicional de alocação de recursos frequentemente exige garantias de Retorno sobre o Investimento (ROI) desde o momento inicial. Essa premissa costuma ser incompatível com projetos que ainda estão em fase de descoberta e validação. 

Projetos inovadores carregam incertezas por natureza. Quando precisam passar pelas mesmas instâncias de aprovação de um processo operacional rotineiro, podem acabar paralisados. 

Para mudar esse cenário, empresas que inovam de maneira consistente precisam equilibrar eficiência e inovação com uma governança adequada à experimentação. 

Isso envolve operar o core business com excelência, mantendo eficiência e previsibilidade, enquanto a organização explora ativamente o novo. Esse equilíbrio pode ser entendido como ambidestria da inovação. 

A gestão da incerteza também exige métricas diferentes. Enquanto o negócio tradicional é medido pelo lucro imediato, a inovação em estágios iniciais deve considerar a velocidade de aprendizado e a mitigação de riscos. 

Agilidade precisa chegar à tomada de decisão 

A agilidade precisa fazer parte da cultura e da tomada de decisão. Ela não pode ficar restrita aos times de tecnologia. 

Nesse contexto, a segurança psicológica se torna um fator essencial. Para que uma cultura de experimentação aconteça de verdade, os colaboradores precisam se sentir seguros para propor teses, testar hipóteses e reportar falhas sem receio de retaliação ou demérito profissional. 

É preciso criar ambientes em que falhar rápido e barato faça parte da curva de aprendizado. Quando acontece em um ambiente controlado e focado em validação, o erro pode se tornar um dos dados mais valiosos para a empresa. 

O papel das lideranças na inovação 

Diante desse cenário, o desafio das lideranças precisa ser ressignificado. 

O papel do líder estratégico envolve criar e proteger um ambiente corporativo em que as boas ideias consigam avançar. Isso passa por simplificar aprovações, conectar a estratégia de inovação aos objetivos centrais da organização e dar autonomia para que times multidisciplinares conduzam a execução. 

Inovar vai muito além de ter uma boa ideia ou um insight disruptivo. É preciso contar com uma gestão preparada para transformar essa ideia em realidade e sustentá-la ao longo do tempo. 

Quando propósito, cultura, aprendizado e processos de decisão caminham juntos, a inovação passa a fazer parte da forma como a organização atua. 

É nesse ponto que boas ideias começam a gerar resultados concretos, crescimento sustentável e impacto real para o negócio, para as pessoas e para a sociedade.

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