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A temporada de eventos de inovação começou: como hackear a serendipidade?

Data: 02 fevereiro 2026 | Categoria: Inovação
A temporada de eventos de inovação começou. Aprenda como ir além da logística e adotar uma postura estratégica para hackear a serendipidade e gerar valor real.

A temporada de caça aos ingressos e às conexões (e, quem sabe, aos happy hours) está oficialmente aberta. Se você abriu o LinkedIn neste ano, certamente já se deparou com várias listas (como as ótimas planilhas do Patrick Figueredo e do Startups) e percebeu que o calendário está cheio.

No entanto, este texto não é sobre onde ir, e sim sobre quem você quer ser nesses encontros e qual a postura estratégica necessária para extrair valor real dos eventos de inovação. Já escrevi anteriormente um ‘Manual de Sobrevivência’, mas agora a proposta é ir além da logística: quero falar sobre comportamento, intencionalidade e resultados.

A estratégia por trás da escolha dos eventos de inovação  

No cenário pós-pandemia, vivemos a “inflação dos superlativos”, onde todo encontro se autodenomina “O Maior da América Latina” (fenômeno parecido com o que vemos em Minas Gerais, onde quase toda cidade afirma ter o melhor queijo do estado).  

É humanamente impossível abraçar todos, então não caia no FOMO (Fear Of Missing Out). Participar exige tempo, dinheiro e energia; se você está em todos os lugares, provavelmente não está trabalhando no seu negócio. Antes de sair de casa, fatie o mercado e defina seu alvo:  

  • Você busca investidores? 
  • Parceiros? 
  • Novos clientes?  

Sem um objetivo específico, qualquer conversa parece produtiva na hora, mas nenhuma gera valor real depois.  

Fuja da “Síndrome do Panfleteiro” e gere valor!  

Uma vez escolhido o evento, entenda que ele começa semanas antes, nos aplicativos oficiais e grupos de WhatsApp. É ali que você mapeia quem estará presente e estuda as teses dos investidores para evitar a “Síndrome do Panfleteiro” 

Esse é o comportamento de quem chega disparando pitch para todo lado, invadindo o espaço alheio. Lembre-se sempre: todo mundo adora comprar, mas ninguém gosta de sentir que estão vendendo algo para ela. Sua abordagem precisa ser leve.  

Em vez de pedir atenção, gere curiosidade com uma pergunta inteligente sobre algo que a pessoa já faz ou escreveu. Dê valor antes de pedir algo. Às vezes, o resultado não vem na hora, mas a conexão genuína planta uma semente para colheita em um ou dois anos.  

O papel da Serendipidade nos grandes encontros  

Aqui entra o grande paradoxo: tenha foco, mas tire os antolhos (viseira dos equinos). Se você ficar preso apenas ao seu script, perde a chance do “acaso planejado”, ou Serendipidade 

Esteja aberto ao estranho. Às vezes, a melhor conexão não é o Top Voice do palco principal, mas a pessoa na fila do café ou aquela startup de outro mercado que tem a solução exata para sua dor operacional.  

A inovação acontece nas intersecções, não nas linhas retas. Permitir-se sair do roteiro é o que transforma um evento comum em um divisor de águas na sua trajetória. O planejamento garante que você cumpra a meta; a serendipidade permite que você a supere.  

O mundo não para: como agir no pós-evento?  

Um choque de realidade necessário: enquanto você está no evento, os boletos chegam e os e-mails acumulam. Se decidiu ir, esteja lá de verdade — e não sentado no lobby resolvendo problemas da firma.  

E quando a música parar e a segunda-feira chegar, separe-se dos amadores focando na execução do follow-up:  

  • Organize os contatos: Use tags para lembrar o contexto (“fulano do café”, “investidor da tese X”).  
  • Cumpra a promessa: Se prometeu enviar uma apresentação ou fazer uma ponte entre pessoas, faça imediatamente.  
  • Mantenha a porta aberta: Muitos cartões são trocados, mas poucos negócios avançam porque as pessoas falham na integridade de cumprir o combinado.  

Use os eventos de inovação como a plataforma de alavancagem que eles realmente são. A festa é ótima, mas o resultado real vem da sua capacidade de execução antes, durante e depois.  

Bora fazer dessa temporada uma plataforma real de negócios? Nos vemos nos corredores!   

Texto desenvolvido por Victor Eduardo, Conectólogo de Ecossistemas no Brain 

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